O Espetacular Homem Aranha

Andrew Garfield faz cerimônia, mas não tem jeito: ele é o novo Homem-Aranha. Após pré-estreia para imprensa e fãs em São Paulo, o ator participou de uma vídeo-conferência direto de Nova York e foi político: “Para mim, Tobey Maguire sempre será Peter Parker”. Negativo. Protagonista de O Espetacular Homem-Aranha, Garfield toma as rédeas do personagem da Marvel e dá novo pontapé ao super-herói e sua saga, que tem estreia nos cinemas brasileiros marcada para esta sexta-feira (06/07).


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Dirigido por Marc Webb (500 Dias com Ela), O Espetacular Homem-Aranha deve encantar – com algumas ressalvas, como todo blockbuster deve ser – a maior parte dos fãs dos quadrinhos. Na pele de Garfield, o personagem ganha novos traços, como o sarcasmo e a ironia. Ao mesmo tempo que se torna mais geek, o que contribui para a história se tornar crível, a visão de Webb coloca Peter Parker de maneira mais “cool”. Ele anda de skate e enfrenta o bullying de maneira mais agressiva: ele apanha, mas fala o que pensa.


Enquanto a trilogia de Sam Raimi coloca o romance de Peter Parker e Mary Jane sempre debaixo dos holofotes, Gwen Stacy (Emma Stone) deixa de lado a imagem da “namorada que atrapalha tudo” e ganha função de catalisador. As coisas acontecem em torno dela, mas a vivacidade do personagem está no próprio Peter Parker, em sua origem, suas perdas e seus fantasmas.


Fantasmas estes que mostram o lado sombrio do filme e afetam constantemente Parker. Assim como Christopher Nolan optou por um lado mais soturno da nova geração de Batman, Webb aposta em um Homem-Aranha ligeiramente mais desequilibrado e principalmente vingativo em suas atitudes e condutas, deixando de lado as trocas de olhares demorados entre Tobey Maguire e Kirsten Dunst na saga anterior.


A vida de Peter Parker ao lado de seu tio Ben (Martin Sheen) e da tia May (Sally Field) tem papel ativo nos combates de Homem-Aranha. Mas o trunfo de O Espetacular Homem-Aranha é aproveitar melhor a ausência dos pais de Peter e sua raiva interna em busca de respostas. A trama ligada ao pai é exatamente o elo que o coloca em contato com o cientista Curt Connors, ex-parceiro de experiências de seu pai, que encarna vilão Lagarto. A inteligência e o jeito geek de Parker também são melhores exploradas com Webb. Sua facilidade com contas e habilidade com gadgets lhe permitem ações importantes, como a criação do lançador de teia, algo bem mais fiel aos quadrinhos do que a solução orgânica na trilogia de Raimi.


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Embora Webb acerte na maior parte das problemáticas que um filme do tamanho de Homem-Aranha proporciona, há deslizes. Alguns deles notados apenas por fãs “xiitas” da série, como por exemplo a eterna frase “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”, que não é dita ao pé da letra por tio Ben. A ligeira alteração já foi suficiente para causar comentários entre alguns fãs após a pré-estreia.



Porém, a escorregada maior acaba acontecendo de forma constrangedora na sequência final. Tentando impedir Lagarto de espalhar uma toxina sobre Nova York – como todos vilões adoram fazer -, Homem-Aranha mostra seu lado humano, se fere e coloca em dúvida suas capacidades. Para resolver o problema vem a força do povo, que antes tratavam o herói como um vigilante, e agora entendem seu propósito. Trabalhadores de obras da Grande Maçã alinham suas gruas na tentativa de ajudá-lo. Se no início do filme a dosagem do heroísmo foi comedida e ganhou doses certeiras de humor, a sequência final gasta todos os cartuchos numa explosão de clichês.


Fonte: Terra

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