Atores Revivem o Juba e Lula do Armação Ilimitada

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“Peraí que o braço tá doendo!”, brinca André de Biase ao reproduzir, com Kadu Moliterno, 25 anos depois, o famoso bordão de Armação ilimitada. Quem não se lembra dos dois levantando os braços e gritando “Juba e Lula, ho!” no programa da Globo, sucesso nos anos 80? O seriado completa 26 anos no mês de maio e, para comemorar, os atores se encontraram para reviver a dupla de heróis quer marcou uma geração.

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Algumas coisas mudaram nos dois: um está com bigodinho e ambos com menos cabelos. Ainda assim, continuam esbanjando a mesma pinta de garotões de anos atrás. Mas algo certamente continua igual: a personalidade engraçada de Juba e Lula que os atores encarnam espontaneamente ao se encontrarem. “Quando a gente se junta vira uma terceira pessoa, que tem uma personalidade só, o ‘Jubilula’”, brinca André, o Lula, hoje com 53 anos.

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IMAGINÁRIO

De lá para cá, os dois já fizeram diversos personagens. Hoje, André é o Ari de Ribeirão do tempo, na Record. Kadu renovou o contrato com a Globo até 2015. Mesmo separados, a imagem da dupla continua forte. Os fãs só se confundem com um detalhe. “A pergunta que mais ouço é: ‘Você é o Juba ou o Lula?’”, conta Kadu, de 57 anos.

A amizade iniciada durante as gravações do programa permanece até hoje. “A gente ainda se vê de vez em quando. Ele me convida, mas eu não apareço”, brinca Kadu. Reviver os tempos de Armação ilimitada no cinema é um grande desejo dos amigos. O projeto já existe, mas ainda não saiu do papel.

UMA IDEIA QUE FUNCIONOU

Eles começaram de maneira despretensiosa, sem saber muito bem o que faziam. Partindo de uma ideia inicial de Kadu Moliterno e André de Biase, a equipe que tinha nomes como Daniel Filho, Antônio Calmon, Euclydes Marinho, Patrycia Travassos, Nelson Motta e Mauro Rasi, sob a batuta do diretor Guel Arraes, acabou transformando o seriado Armação ilimitada numa experiência totalmente inovadora na TV brasileira.

O texto do programa, que estreou dia 17 de maio de 1985, utilizava um humor diferente, fazendo inclusive muitas referências aos enlatados americanos. As imagens ganharam tom surrealista, misturando a estética dos quadrinhos com a dos videoclipes. O cenário mudava de acordo com a história contada. O enredo também não era nada comum: girava em torno do harmonioso relacionamento a três entre os heróis Juba (Kadu) e Lula (André), e a jornalista maluquinha Zelda Scott (Andrea Beltrão).

juba e lula

“Havia uma química entre os contrários, que funcionava muito bem. Juntar dois surfistas com uma intelectual, e não com uma gatinha também surfista, era muito interessante”, opina Guel Arraes. Juba e Lula eram sócios da Armação Ilimitada, empresa especializada em trabalhos nada convencionais: serviços de dublês ou qualquer coisa envolvendo esportes radicais. A dupla dividia tudo, até a paixão por Zelda, que morava com eles.

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A família se completava com Bacana (Jonas Torres), menino órfão que era o mais sensato da casa. Juntos, eles viviam grandes aventuras no seriado, que durou quase quatro anos.

COADJUVANTES DE SUCESSO

Elas não eram protagonistas de Armação, mas faziam sucesso com o público como se também o fossem. Tanto que até hoje Nara Gil e Catarina Abdala são reconhecidas e abordadas na rua por causa de suas personagens: a DJ Black Boy e a hilária Ronalda Cristina, respectivamente. “Muita gente ainda me pede para eu imitar a voz que eu fazia no programa”, conta Nara, que atuava como narradora das aventuras de Juba, Lula e cia.

Nara Gil e Catarina Abdala

Catarina, por sua vez, seguiu com a carreira na TV e no teatro. E lembra que não foi fácil conseguir trabalho depois de dar vida a Ronalda Cristina, a melhor amiga de Zelda, seu papel de maior sucesso até hoje. “Depois do programa, fiquei sem trabalho por muito tempo. Acho que por conta do estereótipo que criaram para mim. Talvez achassem que minha capacidade era só aquela”, diz Catarina.

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